quarta-feira, 7 de agosto de 2013

América Andina e Platina


·      Geograficamente pertencentes à América do Sul, fazem parte, por critérios socioeconômicos, históricos e culturais, da América Latina.
·      Está localizada na porção ocidental da América do Sul estendendo-se no sentido norte-sul e é formada pela Venezuela, Colômbia, Equador, Peru, Bolívia e Chile.
Aspectos naturais
·      A característica mais marcante do relevo da América Andina é a Cordilheira dos Andes que se estende de norte para sul acompanhando o oeste da América do Sul e é o aspecto comum do quadro natural dessa região. Encontramos também planícies litorâneas estreitas acompanhando o Pacífico e outras planícies na porção oriental nas terras baixas amazônicas. Em meio às montanhas que formam os Andes também registramos a existência dos altiplanos na Bolívia e no Peru.
·      O clima na cordilheira apresenta o típico comportamento das áreas com elevada amplitude altimétrica. Ao subirmos a Cordilheira registramos temperaturas cada vez menores e a presença de neve permanente nos picos mais elevados. É o clima de montanha. No sentido norte-sul registramos os climas: equatorial, tropical, desértico (sul do Peru e norte do Chile), mediterrâneo e temperado (diminuindo as temperaturas em direção ao sul do Chile). A presença do Deserto de Atacama no Chile e Peru é explicada pela influência da corrente marítima fria de Humboldt. Suas águas geladas dificultam a evaporação e os ventos úmidos provenientes do Pacífico condensam-se sobre ela provocando chuvas sobre o oceano. No continente, por essa razão, os índices de umidade são muito reduzidos. Esse deserto pode atravessar períodos de até 25 anos sem o registro de chuvas. Sua atmosfera muito seca é propícia à observação astronômica.
·      A vegetação acompanha o clima observando-se a presença da Floresta Equatorial Amazônica, arbustos como os lhanos da Venezuela, Florestas Tropicais, xerófitas e estepes (Atacama) e Floresta Temperada de Coníferas no sul do Chile.
·      Os rios de maior destaque na América Andina são o Madalena na Colômbia, o Orenoco na Venezuela e um trecho do rio Amazonas no Peru. Na vertente do Pacífico os rios são curtos em extensão devido à proximidade do local de nascente (Andes) e o local da foz (Oceano Pacífico).
Aspectos humanos
·      Na América Andina predomina o elemento mestiço do branco europeu (colonização espanhola) e do indígena (lembrando a importante presença de uma civilização pré-colombiana nessa região: os incas). Evidentemente observamos exceções como o Peru e o Equador com maioria indígena. A religião predominante é a cristã católica. Na cultura dos povos andinos a influência indígena também é marcante.
·      São países subdesenvolvidos com grandes desigualdades sociais internas e maioria de população muito pobre com baixa qualidade de vida. O Chile parece apresentar nas últimas décadas uma significativa melhoria em seu padrão de vida.
·      A população concentra-se nas planícies litorâneas e nos altiplanos. As planícies orientais, na Amazônia, e a maior parte da Cordilheira, acidentada e elevada, constituem os vazios demográficos. Devido a um rápido e intenso processo de urbanização a região apresenta maioria urbana, mas graves problemas sociais e de infraestrutura nas cidades decorrentes de uma urbanização recente e desordenada.

Aspectos econômicos
·      A América Andina reúne países de economia primária monoexportadora, principalmente de recursos minerais. São economias subdesenvolvidas dependentes de tecnologia e capitais e das cotações dos produtos primários no mercado externo.
·      A Venezuela tem como destaque o petróleo, explorado pela PETROVEN no baixo curso do rio Orenoco e na região do Lago Maracaibo. É grande exportadora e membro da OPEP. Secundariamente poderíamos destacar o minério de ferro e o café. Sua renda per capita mais elevada em comparação aos outros países andinos deve-se aos recursos obtidos pela exploração de petróleo, mas a renda é mal distribuída e a pobreza é expressiva nesse país.
·      A Colômbia é o segundo maior produtor e exportador de café no mundo, concorrente direto do Brasil nesse mercado. Exporta petróleo, mas não é membro da OPEP. Enfrenta graves problemas internos com a produção de drogas e com o narcotráfico, atividades que se tornaram significativas na economia desse país.
·      O Equador é um país muito pobre e sua economia depende das exportações de banana e petróleo (já foi membro da OPEP). Recentemente eliminou sua moeda, o sucre, em favor da adoção do dólar. O Peru apresenta uma pauta de exportações mais variada mas igualmente dependente de produtos primários: prata, petróleo, pescado (favorecido pela Corrente de Humboldt), ferro, chumbo e algodão. A Bolívia é exportadora de estanho e gás natural (gasoduto Brasil-Bolívia) e está aumentando sua produção de petróleo.
·      Utiliza-se do porto de Santos para seu comércio exterior. Também enfrenta problemas com o narcotráfico. O Chile apresenta a economia mais aberta e estável da região e de toda a América do Sul. No norte do país destacam-se as atividades mineradoras como o cobre, principal produto de sua economia. A região central, de maior concentração populacional, apresenta a produção de cereais, frutas e concentração industrial. No sul atividades turísticas, exploração madeireira e agropecuária. A produção pesqueira também é grande favorecido pela mesma Corrente de Humboldt. É exportador de vinho, azeite, pescado, cobre e tem procurado diversificar mais sua economia com o desenvolvimento do setor industrial. Tem se caracterizado por uma economia muito aberta aos investimentos externos e busca associar-se ao NAFTA enquanto espera maior evolução do MERCOSUL e a possível criação da ALCA. Apresenta os melhores indicadores sociais e o melhor IDH da América do Sul.
Problemas e atualidades
·      Politicamente é ainda uma região instável com democracias frágeis, resquícios de períodos ditatoriais e rumores de novos golpes de Estado, corrupção e envolvimento de governos com grupos narcotraficantes.
·      Nas fronteiras da Venezuela com o Brasil observam-se problemas de contrabando de ouro envolvendo a prisão de brasileiros que invadiram o território venezuelano para extrair ouro ilegalmente.
·      A Colômbia enfrenta o poder de cartéis de narcotraficantes que influenciam sua política interna, movimentam muito dinheiro e, devemos reconhecer, criam muitos empregos e renda para a pobre população desse país. Monta-se atualmente uma ação militar conjunta da Colômbia e EUA para
·      o combate ao narcotráfico (Projeto Colômbia). Outros governos sul-americanos argumentam que esse combate deve ser feito por um plano integrado dos países da região e, claro, existe muita resistência à intervenção militar norte-americana: o combate ao narcotráfico poderia ser um pretexto à internacionalização da Amazônia. Evidentemente, deve-se pensar nos milhares de colombianos que vivem dessa atividade. O combate à produção e ao tráfico vai lançar muitos habitantes desse país no desemprego e em uma pobreza ainda maior. São necessários investimentos que criem alternativas de
·      atividades econômicas para o sustento dessa população. O governo colombiano também enfrenta a atuação de grupos guerrilheiros como as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, o grupo M-19 e o Exército de Libertação Nacional (ELN).
·      O governo peruano também tem combatido ferozmente grupos guerrilheiros no país como o Sendero Luminoso. O combate para eliminar o poder desses grupos rendeu vários mandatos ao ex-presidente Alberto Fujimori, acusado de um autogolpe de Estado e de governos envolvidos em escândalos de corrupção.
·      Até mesmo o estável Chile tem se envolvido em discussões sobre a participação e comando do General Augusto Pinochet na ditadura instalada na
·      década de 1970. Partidários do ex-ditador tentam defendê-lo de acusações no Chile e fora do país que visam condená-lo por atitudes de desrespeito aos direitos humanos e outros crimes cometidos durante a ditadura chilena. A queda no crescimento da economia chilena, dentro desse quadro político, pode trazer novas instabilidades a esse país.
     
AMÉRICA PLATINA
·      Formada pela Argentina, Uruguai e Paraguai localiza-se na porção sul da América do Sul em grande parte abaixo do Trópico de Capricórnio.
Aspectos naturais
·      A unidade geográfica dessa região é garantida pela Bacia do Prata ou Platina, formada pelos rios Paraguai, Paraná e Uruguai. Esses dois últimos terminam juntos no Estuário do Prata, entre a Argentina e o Uruguai, despejando suas águas no Atlântico. O rio Paraguai é um afluente do rio Paraná.
·      O relevo da América Platina é composto por uma cordilheira na porção ocidental, nas fronteiras com o Chile: os Andes, dobramento moderno com elevadas altitudes. No sul da Argentina destaca-se o Planalto da Patagônia e, dominando a região, encontramos planícies como a do Chaco, ao norte, sujeita a alagamentos, e a dos Pampas, com solos férteis, ocupando extensões consideráveis no Uruguai e Argentina.
·      O clima varia desde o tropical ao norte ao desértico frio na Patagônia, passando por áreas subtropicais nos Pampas e de montanha nos Andes, também caracterizado pela baixa pluviosidade. As vegetações incluem as estepes no sul, florestas tropicais e savanas ao norte, campos ou pradarias nos Pampas e Florestas de Pinheiros.
Aspectos humanos
·      A América Platina apresenta maioria de cristãos católicos, predomínio de brancos na Argentina e Uruguai e mestiços e indígenas no Paraguai. Encontramos maioria de adultos e de população urbana na Argentina e Uruguai e maioria de jovens e população rural no Paraguai.
·      A Argentina e o Uruguai apresentam um padrão de vida e um IDH elevados, assim como o Chile na América Andina. Apesar disso enfrentam problemas sociais e econômicos. O Uruguai já não é mais considerado a Suíça da América do Sul como foi no passado. O padrão de vida na Argentina também tem declinado devido às sucessivas crises econômicas, apresentando hoje um elevado índice de desemprego. Comparando-se esses dois países com o Paraguai percebemos que esse último apresenta um padrão de vida nitidamente inferior, sendo considerado um dos mais pobres da América do Sul. Seu IDH é baixo refletindo-se em maior analfabetismo e mortalidade infantil e em uma menor expectativa de vida.
·      Paraguai e Uruguai apresentam uma população reduzida e a Argentina tem um total de habitantes equivalente ao Estado de São Paulo. Observamos também forte concentração populacional nas regiões metropolitanas de Buenos Aires e Montevidéu, com aproximadamente 1/3 dos argentinos e uruguaios respectivamente.
Aspectos econômicos
·      O Paraguai apresenta uma economia de base primária e uma industrialização muito limitada. A entrada de brasileiros no Paraguai, muitos como proprietários de terras, tornou esse país um exportador de soja, além de produzir outros gêneros agrícolas tropicais como o algodão e o tabaco. Também realiza atividades extrativas vegetais como a erva-mate e o tanino e o turismo ligado à atividade comercial especialmente na fronteira com o Brasil e a Argentina. A construção de usinas hidrelétricas em parceria com o Brasil (Itaipu) e Argentina (Iaciretá) permitiu ao Paraguai também se tornar um exportador de energia elétrica excedente no país. Nas savanas em sua porção oeste desenvolve também a pecuária.
·      O Uruguai tem como base econômica a pecuária extensiva de corte, com a criação de bovinos e ovinos. Secundariamente destaca-se o cultivo de cereais como o trigo e o milho. As condições naturais dos Pampas facilitam muito essas atividades com o relevo aplainado e suaves ondulações, os solos férteis e o clima moderado. Sua indústria está diretamente ligada à produção agropecuária sendo as têxteis e alimentícias as principais. O Uruguai é exportador de produtos como a carne, lã, couro e derivados. O turismo associado ao litoral e zonas de livre comércio como o Paraguai completam sua economia.
·      A Argentina apresenta a economia mais complexa na América Platina. O norte do país, região do Chaco, produz gêneros tropicais (cana, algodão) além de atividades extrativas e também a pecuária. É a área tropical da Argentina, uma planície baixa sujeita a alagamentos. No sul, na Patagônia, destacam-se a criação de ovinos, cultivos irrigados e a produção de petróleo e gás (lembre-se que a Argentina exporta petróleo para o Brasil). Na porção oeste, junto aos Andes, destacam-se oliveiras e videiras (exportação de vinho) além da extração de carvão e petróleo. Entre os rios Paraná, Iguaçu e Uruguai está a região da Mesopotâmia, com produção de arroz, erva-mate, algodão, tabaco e com uma posição geográfica que pode lhe favorecer por estar em contato com os parceiros da Argentina no MERCOSUL: Brasil, Paraguai e Uruguai.
·      A região dos Pampas, onde se encontra a Grande Buenos Aires, é a mais importante do país. Concentra mais de metade do rebanho argentino, destaca-se pela grande produção de cereais (trigo, aveia, milho, girassol) e pela forte concentração industrial (alimentícias, têxteis, mecânicas, siderúrgicas, automobilísticas...). A Argentina é o terceiro país mais industrializado da América Latina, após o Brasil e o México.
Problemas e atualidades
·      A região da América Platina também se caracterizou por suas ditaduras militares, variando quanto à duração nas décadas de 50, 60 e 70, com a redemocratização sendo efetivada nos anos 80. Governos populistas e golpes de Estado também fazem parte do perfil político da região. Ainda hoje percebemos no Paraguai uma maior instabilidade política com tentativas de golpes e assassinatos políticos. Resquícios do descontentamento com os períodos de ditaduras militares, com as atrocidades e perseguições cometidas, ainda permeiam os debates políticos na tentativa de alguns grupos de conseguir punição aos executores desses regimes ditatoriais que ainda estão vivos, ou de expor publicamente os atos de perseguição política que os governos militares executaram, seguidos ou não da morte dos opositores a esses regimes.
·      No Paraguai, os brasiguaios enfrentam uma situação difícil dentro da recente crise política desse país, com os conflitos com os paraguaios sem-terra que invadem suas fazendas. No Uruguai, o crescimento econômico conseguido em 1997 e 1998 com o desenvolvimento do MERCOSUL não apresentou sequência devido à crise enfrentada pela Argentina e Brasil a partir de 1999, importantes parceiros comerciais do Uruguai e as duas mais fortes economias desse bloco.
·      A Argentina vem enfrentando sérias dificuldades econômicas, especialmente desde o início das crises financeiras internacionais que atingiram a Rússia e o Brasil, levando a uma desvalorização do real em 1999. Possui uma moeda atrelada ao dólar através de uma política de paridade cambial. A insistência na manutenção de um câmbio fixo, o sucateamento de seu parque industrial, a perda de competitividade dos produtos argentinos devido à sobrevalorização de sua moeda enquanto seu principal parceiro no MERCOSUL, o Brasil, desvalorizava o real, a valorização do dólar no mercado mundial, a diminuição dos investimentos estrangeiros no país e até mesmo o encerramento da atividade de muitas empresas na Argentina, transferindo suas linhas de produção para o Brasil, são importantes fatores que explicam as dificuldades atuais vivenciadas por esse país. Sua população assiste a perda de seu poder de compra, a perda de prestígio da Argentina no cenário internacional (com a desconfiança do mercado financeiro sobre o futuro do país e de sua capacidade de honrar compromissos externos), a elevação do desemprego, as sucessivas trocas de nomes na condução de sua política econômica, a falta de perspectivas e a crescente insegurança sobre seu futuro até mesmo de curto prazo.
·      Ao mesmo tempo, essa situação tem provocado crises no MERCOSUL, observando-se as pressões de setores produtivos arcaicos, não competitivos, sobre seus governos (na Argentina e no Brasil) no sentido de estabelecerem proteções alfandegárias para seus produtos, supostamente dentro de um regime de exceção, mas que fere os princípios da própria constituição desse bloco. Notamos até mesmo a falta de consenso para tratar de questões externas que interessam ao Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai como a questão da TEC (Tarifa Externa Comum), a evolução do bloco de uma União Alfandegária para um estágio mais avançado como conseguiu a União Europeia ou até mesmo a posição a se tomar nas negociações preparatórias para a formação futura da ALCA. O fato é que, no primeiro semestre de 2001, as incertezas dominam o futuro da Argentina e do próprio MERCOSUL, incapaz de responder se conseguirá se expandir e se fortalecer, resolvendo seus problemas internos, ou se deixará de existir antes mesmo de conviver com um bloco maior como a ALCA proposta para 2005.

Fonte: Geografia Crítica. Ed. Ática, 2010. Imagens Google.

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